A morte

A morte é sempre algo difícil de aceitar. Chega de forma abrupta, sem cerimônias e sem avisos. Leva consigo as pessoas mais queridas, sem piedade, e deixa no coração dos que ficam um rastro de destruição. A cada morte, algo no nosso coração se desfaz. É algo pequeno, sem notoriedade, mas só quem perde alguém que amava muito sabe como é o sentimento de vazio de ficar sem essa parte de si mesmo.
Desde pequena, nunca soube lidar com a morte. Certa vez, quando eu tinha sete anos, a professora pediu para que desenhássemos algo que temíamos. Eu desenhei um caixão, e, de legenda, escrevi: a morte. Desde muito nova eu sabia que uma vez que a morte vinha buscar alguém, era uma viagem sem volta. O sopro de vida era arrancado de seu corpo; tudo que restava eram as memórias. E conforme eu fui crescendo, esse medo nunca se dissipou. Acho que por isso sempre fui muito carinhosa com as pessoas que amo, porque sempre tive medo de que elas morressem sem saberem que eram amadas.
Quando eu perdi um ente querido pela primeira vez, eu fingi que ele havia viajado para bem longe, e que um dia voltaria para casa. Era doloroso demais aceitar a morte, e eu tinha apenas onze anos. Eu me enganei deliberadamente por anos, até que um dia, aceitei que ele tinha partido, e consegui ficar em paz comigo mesma, sabendo que ele não voltaria. As memórias continuaram comigo, é claro, mas eu não tinha mais aquela esperança irracional de que, num passe de mágica, a pessoa voltaria à vida.
Agora tenho 22 anos. A morte mais recente de alguém querido aconteceu há pouco mais de um mês. E essa pessoa, tão doce e tão amada, era muito devota a Deus, à sua família, à sua igreja. Conquistava admiradores por todos os lugares que passava, desde a vizinhança até cidades mais longínquas. Era uma pessoa ótima. E hoje resolvi escrever esse texto em homenagem a ela, e enquanto escrevia, dei-me conta de que a morte só é fim para nós que continuamos aqui nesse mundo, sentindo a dor da saudade. A morte, para pessoas boas como minha avó, é só o começo. O começo de uma vida eterna onde não há dor, não há doenças, só há paz. Uma paz profunda que em vida não conseguimos conhecer.

Desabafo

Eu nunca usei esse blog para desabafar tão abertamente como agora. Minha intenção era deixá-lo para textos mais elaborados, algo mais metafórico. Porém, já faz meses que a inspiração me deixou e eu nunca mais consegui escrever algo bom. Escrevo uma frase aqui e ali, mas nada muito grande. Talvez esse desabafo seja grande, mas enfim. Comecemos.

No dia 10 de março de 2013, eu adotei um gatinho, o qual chamei de Thomas. Ele tinha quase 5 meses, era magrelo, alto e comprido, além de ter orelhinhas enormes pro tamanho dele. Eu me apaixonei por ele quando vi uma foto que uma colega me mostrou um mês antes disso. Era uma foto da mãe dele com todos os filhotes, e o que me chamou atenção foi que ele estava num cantinho, se lambendo, de costas. E mesmo assim, eu me interessei por ele. Pedi uma foto só dele para essa colega, e assim que vi o rostinho dele, eu soube que era esse gato que eu deveria adotar.

No começo, o Thomas era muito medroso, porque ele foi rejeitado pelos irmãos e também por um casal que o adotou antes de mim e o devolveu uma semana depois, dizendo que ele era “quieto demais” e não interagia com o outro gato da família, nem brincava, nem nada. Então ele ficou inseguro nos primeiros dias na minha casa, mas eu fiz o máximo que pude para que ele tivesse tudo que precisava para se sentir em casa. Após uma semana, ele parou de se esconder debaixo da cama e começou a se relacionar comigo.

A relação que nós construímos foi algo que nunca imaginei que poderia ter com um animal. Apesar de não ser nem um pouco carente, ele gostava da minha companhia, e vice-versa. Eram poucas as vezes que ele ficava no meu colo, mas ele sempre dormia nos meus pés, amassava pãozinho em mim e ronronava alto. Ele se acostumou com a minha família, que passou a ser a dele também. Eu sabia que ele estava feliz por estar conosco.

Dizem que gatos filtram energias negativas, e isso realmente faz sentido quando lembro de tudo que aconteceu nos últimos anos. Os gatos parecem tem um sensor que detecta quando um humano amado está mal. Nos meus dias mais difíceis, ele sempre ficava ao meu lado, amassava pãozinho, e eu me sentia melhor com a companhia dele. Eu o amava muito já nos primeiros meses, tanto que sempre o chamei de “filho” (e ele atendia). Eu realmente o considerava meu filho. Mesmo que as pessoas julgassem por ele ser um animal de estimação e não uma pessoa, eu não me importava e continuava mostrando ao mundo que ele era sim meu filho.

E é aqui que a história começa a mudar… durante esses três anos que ele está comigo, houveram épocas em que ele esteve mais ou menos apegado a mim, e eu sempre o respeitei porque sabia que ele tinha seus motivos. Ele nunca gostou que eu me ausentasse por muito tempo, um final de semana longe era motivo para ele me ignorar por dias quando eu voltasse. Mas isso eram fases, ele sempre acabava “fazendo as pazes” comigo. Só que ano passado comecei a namorar à distância, e também comecei a trabalhar em período integral, e as coisas estão diferentes desde então. Eu comecei a me ausentar de casa com muito mais frequência e ele sentia isso no começo, mas depois começou a se apegar a minha mãe e passou a me ignorar quando eu chegava em casa. Com a minha mãe, que passa muito tempo com ele, ele ainda é carinhoso, amassa pãozinho, ronrona, dorme na barriga. Quanto a mim, nem me esperar na porta ele espera mais.

423092_321009978019614_543383270_n
A foto que me fez me apaixonar por ele.

Sei que para muitos esse desabafo pode parecer bobo, mas isso me afeta muito. O Thomas se afastou de mim e eu sinto que isso foi minha culpa, sinto que falhei como mãe e como dona dele, a um ponto que ele adotou minha mãe como dona e hoje em dia nem consigo dizer que ele é meu gato, porque ele não liga muito para mim. E isso me dói. O Thomas é meu primeiro gato, filho único, e eu o amo de um jeito especial, porque ele é um gato especial. Ele é lindo, totalmente simétrico, e age de forma tão humana que me pergunto se ele não é um humano que reencarnou num gato. Sempre achei que o amor da minha vida era ele, um gato, e não uma pessoa. Mas tudo mudou e agora não sei mais o que dizer.

Eu tenho planos de sair de casa, e sempre disse que levaria o Thomas comigo, mas hoje vejo que isso o faria muito mal, e não quero arriscar perdê-lo por capricho meu. Ele ama minha mãe, sofreria muito sem ela. Ele já teve problemas renais e qualquer estresse pode desencadear uma nova crise. Além disso, ele não é mais “meu” gato. E isso dói, como dói. Eu me sinto mal por desejar ter outro gato que me ame, mas eu sinto essa necessidade de ser amada até por animais. E não sinto mais que o Thomas me ama.

Eu não sei como terminar esse texto… já desabafei demais aqui, e estou morrendo de medo de ser julgada por outras mães de gato, mas não me sinto mais mãe do Thomas, me sinto uma pessoa que mora com ele e que ele gosta, mas não ama.

Não me arrependo de ter o adotado, ele foi e é uma das únicas boas dos últimos anos. Acho que mesmo que eu ame outro gato, não será a mesma coisa. Ele foi o primeiro, e isso está marcado para sempre.

Não interpretem esse texto como uma despedida ou uma desistência. É só o desabafo sincero de uma pessoa que ama um gato mais do que já amou muitos humanos.

I think I’m finally clean

É estranho respirar o ar fresco da superfície depois de meses respirando o mísero ar que chega ao fundo do poço. É uma sensação estranha, como se meu pulmão não soubesse lidar com tanto ar. Ainda que não seja a melhor atmosfera do mundo, e que esse ar seja mais poluído do que deveria, é mil vezes melhor do que o pouco ar que os meus pulmões respiravam meses atrás.

Eu não estou no topo de uma montanha, também. Ainda não dá para ver toda a beleza que há ao meu redor. Mas pouco a pouco vou ganhando outras visões de mundo, e isso me dá a esperança que preciso para continuar escalando.

Depois de meses e meses imersa em desespero, eu finalmente encontrei uma luz no fim do túnel.

E é essa luz que me guia agora, enquanto viro a página desse livro que é minha vida.

Ai de mim que sou romântica…

Quisera eu ter meus quinze anos de volta, quando minha fantasia de encontrar meu príncipe encantado ainda era aceitável, pois “coitada, a garota nunca teve um namorado, não sabe como é o mundo real”.

 Quisera eu ter meus dezesseis anos de volta, quando as pessoas me diziam: “coitada, ela só namorou por três meses, não sabe como é um relacionamento de verdade”.

 Desejei então namorar por mais tempo, mas aos dezoito, com um ano de namoro, me disseram: “você namora há apenas um ano, não é tempo o bastante para saber o que é amor”.

 Mas eu sempre soube o que era amor, porque amor faz parte da minha essência. Nasci para amar, mas às vezes acho que não para ser amada. Hoje, aos vinte, as pessoas dizem “nossa, mas tão nova e já é frustrada amorosamente?”.

Sou frustrada porque a sociedade me diz que não sei como é um relacionamento de verdade, e que sou muito nova para saber o que é amor. Não concordo. Ninguém nunca precisou me ensinar o que era amor. Nasci pronta para amar, para me doar, para dividir alegrias, para ser companheira, enfim, nasci pronta para ser de alguém.

Eu vivo uma vida toda à espera de ser de alguém.

Mas eu não tenho mais quinze anos, e não posso esperar por um príncipe encantado. Com tantas desilusões amorosas, desconfio que exista o amor da minha vida, mas continuo sendo romântica incorrigível, por mais contraditório que isso pareça.

Eu só queria encontrar alguém que me provasse que sim, o tipo de amor que eu procuro existe, e que não precisa ser breve e intenso, mas que pode ser algo para a vida toda. Alguém para fazer cafuné, sentados no sofá assistindo um filme qualquer. Alguém para me perguntar como é que foi meu dia. Alguém para ligar três da manhã e dizer “sinto sua falta”.

Alguém.

Mas quem sabe a vida ainda me surpreende, quem sabe o amor da minha vida um dia leia esse texto, quem sabe?

Além de romântica incorrigível, sou sonhadora. Não me acordem para a realidade.

Para você.

Eu poderia te falar as coisas mais lindas deste mundo. Você me ouviria, mas não prestaria atenção às palavras. Eu poderia te escrever mil e uma cartas. Você as leria, mas não tocaria teu coração.

Nós poderíamos ser tanta coisa, mas não somos nada, e tampouco seremos, porque há outra pessoa no seu caminho. É nela que você deposita seus beijos, seus sonhos, seus medos. É com ela que você compartilha suas conquistas, é com ela  que você planeja um futuro. E eu simplesmente não tenho como me equiparar a ela.

Eu perdi uma batalha na qual não pude nem lutar. Mas eu lutaria, meu amor, lutaria até que acabassem minhas forças.

Eu pretendia te mandar uma carta, uma mensagem, um sinal de fumaça, dizendo que, em algum momento que não notei, esse sentimento se abrigou no meu peito.

Mas é nos braços dela que você busca abrigo.

Será que você vale mesmo o sofrimento?

Ah, amor…

Nothing but thoughts

I like the mystery of the unknown. I like the possibility of the word “maybe”. I like everything which I’m not totally used to. I like deep, open-minded conversations that might lead me to nowhere, but are still worth my time.

I hate when people talk about shallow, boring topics just to “get in touch”. Getting in touch is only needed when you’re not sure about the kind of relationship you have with somebody. When you connect with someone and know your feelings towards this person, time is not crucial; it becomes meaningless.

Time is always meaningless, because it is not the master of our lives. The only thing standing in your way is yourself.

And no, this is not some bullshit about motivation. This is me trying to put a world of thoughts into some meaningless words before I go to sleep and let time master my life again.